Sem Surpresas
 

 Despedida

 

Quando você estiver lendo isso, com certeza eu já estarei bem longe. Prefiro assim. Não suportaria vê-lo com lágrimas nos olhos. Não queria olhar pra trás para não dar chances de voltar. Agora você não precisa mais ficar dando explicações pras coisas que fiz. Estou indo de volta pra casa. E eu nunca gostei de despedidas. Você que sempre disse que esse não era o meu lugar, agora tomei conhecimento disso. Meus passos foram além do que eu imaginava. Eu sei que me apeguei às pequenas coisas, e sei que irei sentir sua falta, mas dessa vez fui longe demais. Minhas palavras não foram aceitas, e agora você sofre por isso. Eu só queria alguém que me tomasse no colo, alguém que não se assustasse assim como eu me assustei. Mas ninguém gosta de ouvir os problemas dos outros, e nem de perguntar como vai, sem querer mesmo saber. Idiotice minha pensar o contrário. Mas não pense que estou na pior, apenas estou decepcionado com tudo isso. Eu acreditei nas pessoas e agora você paga o preço disso. Eu só vim me despedir. Você sabe que foi o único que realmente me entendeu mesmo quando eu não o entedia. Espero que pra onde eu vá, exista alguém como você. Não consigo me imaginar sem você. Você ficará melhor sem eu por perto. Você sempre esteve do meu lado até nas piores das situações, sempre me defendia e eu estragava com tudo. Demorei um bom tempo para perceber isso. Eu sei que você nunca me expulsaria, mas alguém tem que fazer esse serviço. Não quero deixar nada de mim aqui. Eu sei que tivemos bons momentos, mas foram ações mal interpretadas que fizeram de nós o que somos hoje. Deixei que vissem meus sentimentos, meus pesadelos, minha face oculta, e agora me sinto nu, pequeno demais para olhar nos olhos deles e ter que conviver com o teu sofrimento. Eu sei que você me avisou do perigo que correríamos, e espero que eu leve seu perdão também. Mas foi tudo tão rápido que eu não me dei conta disso. Tão rápido! Tanta coisa boa aconteceu nesse tempo, que eu não percebi que em mim, havia seu medo. Eu aprendi muito com tudo isso. Aprendi a ser mais atencioso comigo e com as coisas que eu ansiava. Mas não dei atenção ao que você realmente queria, esqueci de você. Não o olhei como deveria. Mais uma vez errei e mesmo assim você ainda estava do meu lado, abrindo mão das coisas boas por mim. Isso tem que acabar. Viva por você e esqueça de mim. Repare nas pessoas que só querem seu bem. Não quero esse status para você, e sei que você também não. Você foi quem mais sofreu com tudo isso. Minhas atitudes loucas me deixaram mais longe de você, mais longe do que eu poderia suportar. Mais longe daquilo que você buscava. Eu menti pra mim mesmo quando disse que eu não queria atenção, ou compreensão. Nesse ponto era você que falava comigo e eu não o ouvi. Eu só queria a sua compreensão. Queria me entender também, já que somos parte um do outro. Mudei tanto que não dei espaço a você. E você sempre foi pessoa melhor que eu. Agora só vejo uma saída: ir embora. Não tenho mais motivo pra continuar aquilo que você começou e que tomei o controle sem pedir sua permissão. Eu sei que você não vai terminar isso da minha maneira porque era eu que fazia isso por você. Você fará melhor que eu. Não imagino outra forma melhor e eu nunca poderei fazer igual. Nesse ponto, fica claro a nossa diferença: você o racional, eu o inconseqüente. Não há muito que se entender, ninguém notou que não era apenas uma brincadeira. Entendo se você não quiser mais falar comigo. Você tem muito que fazer para reparar o erro que fiz. Espero que dê tempo. Espero que você encontre as respostas pras perguntas que eu fiz a você. Espero que tudo dê certo Talvez eu volte quando tudo estiver no seu devido lugar. Quando não houver mais nenhum rastro meu aqui. Eu sei que você se envergonha do que sou, do que fiz, mas digo que você já fez muito por mim. E agora é a minha vez de fazer algo sensato por você, não resta outra coisa a fazer, a não ser, partir. Abandono tudo que fiz por sua liberdade, e sei que você merece. Eu devo isso a você. Esse não era meu lugar, esse não era o caminho certo. Fui teimoso, bem sei. Mas o amor que tenho por você, cegou meus olhos. Pare de pensar em mim e dê mais atenção a você e as pessoas que o ama. Abandono você por sua felicidade. É melhor deixar assim mesmo. Eles nunca vão saber o que realmente aconteceu. É melhor assim. Sairei como o vilão da história e que você seja o mocinho. Saiba que nas minhas histórias, você sempre será bem vindo. Espero que me perdoe um dia. Você era meu lado bom, embora eu tenha sido o seu lado ruim. Em você vejo algo lindo. Nunca deixe que tirem isso de você. Tenho que ir, amigo. E lembre-se que era eu, o lunático de sempre, e que agora te deixo em paz. 



Escrito por Walesko às 23h54
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Apenas mais um conto

 

Com a imensidade do intenso

Entre a força do desconhecido

Sobre tudo que foi previsto

Como se não fosse de bom senso

Com o sol que aponta

A Clarear meu dia

Num distante paralelo horizonte

Como se na noite

A lua não coubesse essa magia

E as estrelas não tivessem seu guia

Vem bem nítido o que espero

 Impresso no verso que não foi dito

Por temer o que não consigo absorver

E que defronta no escudo bendito

E o que resta de mim em você?

É o que sobra a percorrer um longo caminho

Assim mesmo, sem muito palpite...

Através da cortina que com força abro

A deixar a brisa antiga dar espaço

 Ao novo ar que bate por direito

Jogando fora meus antigos defeitos

Como um sopro que leva embora a inútil pena

Foi você, minha doce pequena.

Que fez o vento úmido mudar seu curso

E as lágrimas que secaram com muito esforço

Uma de cada vez, eu agora recolho.

Que como rocha afiada, rasgou meu rosto.

E das nuvens escuras que busco como revide

É o fato de que não há mais surpresa

E dentre o mundo que vi

Sinto algo bonito que em mim ainda vive

Como se me valesse de coisas alheias

É a força que vem comigo

E das coisas que sei, encontro abrigo.

Uma, ponho a mesa.

É a certeza do que posso oferecer

Como frases de um único valor

E o que se tem a dizer?

Não é nada, apenas mais um conto

Que não merece mais tanta dor.

 



Escrito por Lunático às 18h43
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Hoje

 

Hoje é o primeiro dia do fim. O fim de todo mal que ainda acumula dentro do meu ser. O fim desse estado lunático que colocaram em mim desde criança, excluindo-me do mundo. Ainda hoje me resgatarei do buraco que me enfiaram e sairei de cabeça erguida. Hoje é dia de sorrir como se nunca houvesse tristeza, então sorrirei para eles. Hoje é dia de escolher e pôr em prática todas atitudes certas que hesitei em fazê-las. Definirei minhas prioridades e agirei de acordo com elas e esquecerei das pessoas falsas que me cercaram. Hoje irei à busca de meus sonhos e não terei medo do fracasso. Farei minha parte. Descobrirei e seguirei diretrizes saudáveis para não prejudicar a mim mesmo e nem a ninguém. Dedicarei toda atenção e cuidado a minha família mesmo com todas as diferenças de interesses e problemas diários que existem em nós. Hoje colocarei em ação e desenvolverei o bom raciocínio, assumirei e manterei compromissos corretos e responsáveis para meu equilíbrio emocional. Hoje aprofundarei e expressarei minha fé, com todo meu estado são. Ainda hoje solidificarei esse compromisso com todo carinho e atenção que a mim foi dado como responsabilidade para ser e para fazer feliz. Hoje é dia de ser generoso, prestativo e valoroso com os meus amigos mesmo não sendo aceito, pelo o caminho que escolhi percorrer por não ter sido igual ao deles. Agirei de acordo com os meus bons instintos e não com esse pensamento alienado que insisto em ter. Sairei em busca de novos desafios que me tornem uma pessoa melhor. Ainda hoje declararei todo o amor que tenho a oferecer a quem amo. Abrirei ainda mais meu coração a todos que quiserem pisar em mim. Ainda hoje abrirei mão desse espaço carregado de maus momentos, ainda que de boas palavras, espelhando esse sujeito complicado que sou (eu sou melhor que isso). “– A vida me espera”. Ainda hoje sairei em busca do sorriso que deixei na infância, da esplendorosa capacidade de sentir realizado até com as pequenas coisas. Hoje deixarei para trás tudo que me incomoda e darei atenção às pessoas que compõe minha vida, porque sei que elas contam comigo e não posso decepcioná-los, não dessa vez. Hoje viverei como se não houvesse outra maneira para ser feliz, e não há realmente. Hoje, serei o herói de mim e contemplarei todo esse gozo de liberdade e satisfação de não ter sido engolido pelo o mal e nem de ter sido corrompido pelo modismo dos outros. Hoje darei espaço ao amor próprio que me escapou durante essa estrada. Sei que verei todas as recompensas desse dia bem vivido, ainda que não seja hoje, mas seguirei assim mesmo, mesmo porque, sei que de outra forma não encontrarei o que realmente busco. Pois aprendi que as pessoas dão o que elas têm de melhor para oferecer. E eu oferecerei o melhor de mim, ainda que não seja retribuído.

Porque hoje, como nunca, viverei.

 

 “Se tu queres vida, viva. Se tu queres paz, não lute. Se tu queres andar, que levante. Se tu queres amor, ame!”.

(Madre Teresa de Calcutá).

 

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo
do céu”. Eclesiastes 3.1



Escrito por Lunático às 00h32
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Desabafo

 

Estou pensando em você, minha pequena. Pensando no seu sorriso que a muito me vez acreditar em algo lindo. Por onde andas? Você sumiu. Você não atende mais meu chamado. Com você, eu me encontrei, e agora preciso disso para clarear meu caminho. Quando você mais precisou de alguém, me fiz presente para aparar seu pranto, e nesse momento grito seu nome e você não me ouve. Como você quer que eu a ame se você não alimenta esse sentimento? Também preciso ouvir isso. Como se não bastasse tudo que vivemos até aqui, você ainda tem dúvidas do que sinto por você? Não lhe quero só por um final de tarde, não é o bastante. Você não percebeu isso? Quero amanhecer a seu lado e caminhar contigo por esse caminho que se abrirá sobre nossos pés, carregando nossos sonhos e nossos desejos. Não peço a você que seque as minhas lágrimas, quero apenas seus braços para depositar todo os meus sentimentos, então as lágrimas secaram sozinhas. Você não entendeu que meu silêncio é meu grito de socorro. Mas você não se importou, se fez de despercebida. Não quero as rédeas desse relacionamento. Apóie-se em mim, que eu me apoiarei em você. Essa minha transparência me mata por dentro, e você ainda é uma desconhecida para mim. Mostre-me o que você tem de melhor também. Seus medos, sua angústia, sua mágoa e seus desejos retraídos, só me deixaram apreensivo. Onde ficam as suas palavras quando me calo? Onde fica seu carinho quando fico dormente por dentro? Eu sei que já sofremos muito, que já perdemos muito tempo com paixões injustas e com essa busca desenfreada de encontrar algo verdadeiro em vão. Mas estou aqui, e isso é verdadeiro, acredite. Assim como o seu, meu coração ficou frio por dentro também. Aqueça-me que eu te aquecerei. Não me venha com esse joguinho juvenil. Não venha com algo que poderemos sofrer depois. Esqueça você também do que aconteceu de ruim, de toda mágoa e angustia. Não seja o que você não é, seja sincera. Venha contagiar-me com sua alegria. Alegria essa que me conquistava todo dia. Onde está essa sua alegria? Onde você deixou seu sorriso? Diga-me que eu prometo ir buscar e a farei feliz. Pois com sua alegria, sei que serei feliz. Onde está você?



Escrito por Lunático às 23h32
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Existência lúdica

 

Estou em uma forma opaca, escorrida completamente sem defesa para dentro de uma estreita quebradiça de existência. Fora de foco, onde a realidade é apenas uma tangente bem diferente de uma representação de mundo. Um mundo que, em seu inteiro, vejo-o sem formato, sem expressão e sem identidade. Uma realidade defeituosa, quase sem linguagem definida, e eu aqui, como um objeto figurativo. Como um ser de linguagem sem rosto, embaralhado pelo o poder dos outros e como que fixo e mergulhado em um sistema demagogo, em formas e artifícios de um “estar no mundo” confuso e dividido. E eu contínuo um estranho, sem mostrar nenhum pensamento que o faça provar o contrário. Mas não me importo com eles. Prefiro continuar assim, fora da realidade, como se eu mesmo me tornasse o limite de um mundo material constituído de imagens e de conceitos feito pela ideologia de ninguém, me sentindo então, um ser desconectado da sociedade, como se de fato eu estivesse assim descaracterizado de um perfil de uma pessoa normal. Prefiro permanecer marginalizado de qualquer ordem simbólica desse mundo de hipócritas, instituídos em um subproduto de mecanismos de opressão de imagem e de violência desordenada, sem indícios de um amanhã em paz com os seus direitos de liberdade utópicos.

Sobrevivo em plena era de um mundo globalizado, em meio às imagens escorregadias e sem vida dessa geração incoerente. Vidas superficiais. Estou sobrecarregado de um convívio sem cor e sem sentimento, que em mim é imposto. Bem como o incômodo de um espaço curto e sujo, de uma noite sem sossego, por conta da correria dessa evolução que nos leva, cada vez mais, a destruição em massa da nossa espécie. Tornei-me um mutante em uma forma ambígua, desprotegido de linguagens e contextos, assim como estou também acoplado à imortalidade de um mundo tosco, feito de ossos e de ruínas de um sonho de criança. Uma realidade natural e pura que foi corroída, indiscutivelmente, pelos os códigos de uma época atual em desajuste. Finjo estar anexado misteriosamente a esse modismo, uma postiça existência, que só interessa aos mecanismos de controle do mundo e aos senhores do auto-escalão em busca de poder, com seus referendos sem lógica, em que a justiça não são para todos, e suas estatísticas sobre violência simbólica e material onde os números são o alvo de discussões e nada mais(apenas os números). Viverei em um intervalo, meu espaço e o seu tempo, meu mundo e o seu, ainda que aflito, mas pretendo seguir com todas as forças que ainda restam em mim, dentro do impenetrável pensamento de um louco, desprovido desse quadro de “normais” que aos muitos, se iludam com a alegria momentânea. De escolha própria, fico ileso, desapegado de tudo e oco dessa apologia. Despercebido como um ser que vive fechado em seu espelho único, sem máscaras e sem surpresas para se mesmo. Agora me endireito em fragmentos de pensamentos avulsos e bocejo, me estico para alcançar as estrelas que criei. Sem pressa e sem articulações, sem formato definido e completamente neutro. Estou quase que imerso, sentimentalmente comovido e constante pelo vai e vem de coisas desacordadas e sem nenhuma presunção do que pode acontecer. A inércia de tudo como conseqüência. Portanto sendo uma ideologia incomum e mal aceita por todos, em minúsculos assuntos de uma página de jornal amassada. Receio à comparação forçosa às histórias sucessivas e mal contadas do cinema mudo.  Mas cuidadosamente permaneço amarrado ao mastro de um navio fantasma onde se diz uma vida sem graça, mas uma vida minha, uma vida autêntica, ainda que seja fraca em seu princípio, e não mudarei o rumo de seu destino. Desculpem-me, mas sou um lunático e seguirei assim mesmo, não me vendendo e nem sendo manipulado. E sobre a compreensão e a lógica, o entendimento e a aprovação, não me resta. Se o que é interessante pra mim, é ser diferente de vocês.

 

 



Escrito por Lunático às 00h33
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A menina que suspira e o garoto dos mil beijos

 

Era uma vez uma moça simples, que pra tudo suspirava e sempre esperava alguém que viesse resgatar de sua prisão, com cavalo branco e tudo mais. Namorava sempre que podia, na calçada, mãos juntinhas e sorrisinhos afetuosos. Adorava surpreender-se com os telefonemas de ''boa-noite, durma bem amorzinho, com os anjinhos do céu''. Minúcias do relacionamento, que ela achava lindo. Ela adorava mandar e receber bilhetinhos. Colecionava o papelzinho do Ice Kiss com aquelas declaraçãozinhas de amor e até guardava no diário o palitinho de picolé de morango daquela noite de chuva e de muitos beijinhos. Ficava especialmente feliz quando o carteiro lhe entregava as correspondências, até mesmo porque o remetente era quem, todas as noites, vinha juntar as cadeiras na calçada: sua mãe. Isso sem falar das flores. Rosas vermelhas, preferencialmente, mandadas a qualquer tempo, deixavam-na suspirando. Alegria certa também era andar de mãos dadas na pracinha ou voltar do colégio na garupa da bicicleta só pra sentir o vento no rosto com aquele ar de aventura. Claro que ela planejava casar na igreja, com véu e grinalda, com chuvinha de arroz e lançamento de buquê, era seu sonho e, desde quando brincava de boneca, escolhera os nomes dos filhos: João, Francisco e José. Era capaz de separar-se da família inteira e mais meio mundo de amigos só para passar a lua de mel em Paris ou Canindé (se dé), e para ser feliz na mansão de seus sonhos ou no quartinho na casa do amado mesmo, tudo em nome do amor. Mas a menina dos Suspiros vivia se perguntando o que era o amor, como ia sabê-lo quando enfim fosse sorteada. Acabou por descobrir na ausência daquela tarde de domingo, ao se dar conta que tinha aversão a estádios de futebol, e passou a amar aquelas histórias nas séries de livros de amor: “Helena e suas paixões ardentes”. Também começou a percebê-lo nas brincadeiras de pega-pega na rua, feitos menina e menino. Nas conversas antes de dormir sobre aquele menino metido do colégio; no pedido que fez a Deus, em um momento cotidiano de contemplação: envelhecer juntos. Na solidão amarga suspirando agarrada ao travesseiro; no sorrir sem necessidade (e sorrir para o tempo é um dos indícios mais fortes do amor). E até nas telenovelas onde a menina angustiada sempre ficava com o galã da trama, isso sem falar nas trilhas sonoras onde chorava de emoção toda vez que a ouvia.

( A história segue abaixo )

...



Escrito por Lunático às 02h18
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(Continuação)

Ai, ai! Sei não... Mas, ao contar-lhes essa história fica impossível e totalmente sem graça não lembrar do garoto dos mil beijos. Um rapaz que pelo seu pseudônimo, despensa qualquer apresentação. Era simpático e sempre se dava bem em suas, digamos, “aventurescas experiências amorosa prévia”. Adorava espalhar bilhetinhos de ''bom-dia'' e ''sonhei com você'', do criado-mudo à porta da geladeira. Adorava também, beijar sobre o gostinho daquele sorvete de napolitano, colocando um pouquinho de seu sorvete no rosto da amada e ficar passando a língua, (olha a censura!). Minúcias do relacionamento, que o tocavam de modo profundo. O garoto era estritamente romântico e guardava um adesivo da farmácia na carteira só porque a farmácia tinha o nome da pretendida e o slogan era: “aqui está a sua vida”. Isso, sem falar das flores. Rosas vermelhas que, por si só, encantavam-lhe os nomes. E era de fiel remetente a elas. A qualquer tempo, ao invés de buquês perecíveis, mandava a própria roseira. Não raro, mas as seis e pouco da manhã, lá estavam, ele e as rosas, enfeitando o dia de sua eleita, deixando-as na portaria do edifício. Ele era ainda de presentear alegrias. Uma vez, no meio da tarde, ligou para cantar pra ela: ''Tô louco pra te ver chegar/ Tô louco pra te ter nas mãos/ Deitar no teu abraço, / retomar o pedaço/ que falta no meu coração''. Outro dia sem nada marcado, no engarrafamento das 18 horas, lembrou-lhe: ''Meu bem, eu não suporto mais você longe de mim/ Por isso eu corro demais, sofro demais/ Só pra te ver meu bem''. Sem contar às vezes que, na madrugada fria, em tom de nostalgia, surpreendia, ''Estou com saudades'' (sempre no plural). E muitas tantas que, voltando do trabalho, deixava a saudade gravada na secretária eletrônica. Mas o garoto dos mil beijos não planejava casar, muito menos na igreja. Não da forma que a menina que a muito suspirava. É que ele teve uma infância solta no meio da rua; é que ele vivia se perguntando se o amor existia mesmo e por quanto tempo duraria. Ele não se deu conta, mas já tinha as respostas: na sobra do perfume que mantinha no vidro, ao alcance dos olhos; nas fotografias restantes, entre roupas e páginas, nas alianças amassadas da mãe, que ela guardava na caixinha de veludo vermelho (junto com o Cântico dos Cânticos). Na ausência de alguém em especial naquela tardinha de domingo, 50 mil pessoas espremidas no estádio para a final do campeonato estadual; no amanhecer solto lendo Vinicius de Moraes; no sorrir descontraído, em pleno expediente; quando, entre todas as pessoas da cidade juntas em uma festa a céu aberto, sentisse falta de apenas uma (talvez lembrasse daquele domingo que saíra do estádio faltando ainda vinte minutos pra acabar o primeiro tempo, só para ir vê-la). E foi assim que a beira daquela avenida movimentada, que a tomou pela mão e pediu-lhe em casamento. Porque Deus escreve novelas? Será que surgiu do improvável? E ele, que nem podia andar de mãos dadas, agora desfilava pela rua mostrando a aliança de noivado barata, mas orgulhoso de si e passou a existir só os dois no mundo. - Ah, Garoto dos mil beijos! O amor vai ao tempo, das eternidades que a produz. Ele soube que a se mesmo, pertenceu à engenhosa arte de pedir em casamento. E ao modo dele, gostou disso, pois teve, as alianças no bolso, desembestado, ir buscá-la. Ou então, terias exclamado, em outdoor, para a cidade toda ver: ''volta! Ainda te amo'' Ele mesmo confessou que gostava de ser posto no colo. Não costumava falar, mas desejava que um casamento fosse para a vida toda. E foi elaborar, detalhadamente, a arte quantas vez fosse necessário para viver ''felizes para sempre''. Ele soube que foi capaz de separar da mãe e de trair os amigos para viver a lua de mel em Canindé e para passar a viver feliz (a dois) nesse apartamento de apenas dois quartos, tudo em nome do amor. Silenciosamente, achou bonito quando ela planejou o casamento na capelinha do sítio do avô, entre mangueiras, com direito à chuva de arroz, bolhas de sabão, pôr-do-sol e um repertório de pássaros, marrecos e capotes. O álbum do casamento não deixou dúvidas: posou todo satisfeito para a foto que imitava o casalzinho do bolo. E o que dizer da música que cantou a ela? Valendo-se de Oswaldo Montenegro“... e Leo e Bia souberam amar”. E da história que ele havia contado no salão sobre uma princesa que era salva do dragão por um príncipe de um reino distante? Ai, ai... Sei não! O tempo passou, filhas nasceram, (Maria, Joana e Manoela) problemas vieram, e assim como as tristezas houve também alegrias e muitas outras histórias bonitas para contar, como aquela vez que ele ficou bêbado e refizeram os votos matrimônios no dia do aniversário dela, (isso vai ficar pra depois). - A menina que suspira novamente! E assim como os dois quiseram, viveram felizes juntos, ou pelo menos envelheceram juntos. O fato é que, para cada menina que suspira, há um garoto de mil beijos: brincando de bila na mesma calçada onde ela pula corda, parando ao lado no sinal vermelho, morando em ruas paralelas, tomando o mesmo elevador, seguindo o mesmo caminho de casa na volta do colégio, ou até, dividindo o mesmo local de trabalho, pois sei que existem pessoas que precisam amar e outras que precisam ser amadas. É como já disse, em umas certas palavras tortas que, para quando um nasce, a outro também vive. E o ciclo se fecha. Viva a democracia amorosa!



Escrito por Lunático às 02h11
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Canção de vida minha doce Maria.

 

Minha querida enxuga as lágrimas e ouça.

Há tanta coisa ainda por fazer, moça.

A luz logo vem com mais força.

O que era pra ser, era pra ser, não distorça.

Tem muita coisa suja, lave sua louça.

Trilhe seu caminho, assim mesmo solta.

 

A vida vem, a vida vai, canta!

Pois se já não é de lembrança.

Apenas tente algo novo e levanta.

 

Vem, que os meus sonhos a espera, clama.

Acerte o passo, anda.

Bate a tristeza e vê se não tomba.

Não se apresse com nada não, calma.

Não deixe pelo avesso a alma.

Libere-se de tudo e canta

 

A vida vai, a vida vem, dança!

Pois já se vê a mudança.

Apenas me dê sua mão e levanta.

 

Dança o canto, que é na dança que canto agora.

A alegria veio, já era hora.

Mostre esse seu sorriso, minha senhora.

Abra os olhos pro mundo e não chora.

Não há mais motivo pra mágoa, ignora.

Até pensei que você ia embora.

Só tente o impossível e ora.

 

A vida segue que se já é de dança.

Apenas vem, que a felicidade te chama.

Pois tudo aqui, ainda te ama.



Escrito por Lunático às 00h09
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Andando sem olhar para trás

 

“... andando sem olhar para trás”. Foi o que eu aprendi e foi o que menos usei. E com esse pensamento ando de encontro ao vento. Busco minha inspiração, busco um lugar para sentar, repousar, uma sombra. O dia já está no fim, dia cansativo, e o pôr-do-sol me vem com recordações, coisas que eu nunca nem mesmo vi. Por que isso acontece? O vento úmido, aquele mesmo que secou minhas lágrimas, vem agora mais forte, leva-me ao pé de uma arvore, leva-me aos meus pensamentos. Clima frio, aconchegante, paisagem, folhas secas, céu amarelado... O Sol parece esconder-se de mim, apagar-se. Deus existe! Chego devagar, meio sem querer, sem opções de algo melhor e sento-me como uma forma de desistência. Busco o ar fundo, forço. A vista caminha longe, estou voando pelo o horizonte. E eu que jurei não mais chorar. Trago a carta comigo, a carta que roubei. A letra que não é minha, o sonho que não era meu. As mãos trêmulas rasgam-na, nervosas; minha vergonha, meu constrangimento, minha timidez. Minha loucura. Eu! E houve quem não quis perceber, e teve quem não quis entender. Mas não importa, não quero que seja o que não tem que ser. Sem sacrifícios, por favor! De qualquer forma ficarei em silêncio, um pouco de lado das coisas, vazio bem sei, mas valorizado. Eu sei o que tenho que ser. O sol agora some de vez, junto com esse peso. Mas outro estar por vim. As estrelas, aos poucos dão o ar de suas graças: cintilantes. Vêem dizer-me o quanto fui idiota, o quanto me deixei levar. O quanto fui egoísta. Parecem rir de mim. “O ser vulnerável”. Não estou mais voando, a noite se apossou de minhas asas, aterrissei na minha escuridão. Lembro dos sorrisos intensos, das conversas descontraídas, dos olhares amorosos, das belas palavras ditas sem motivo, das tardes simples, dos defeitos... Bons momentos que agora desaparecem, um por um. Deslumbro neste momento, a lua: a matriz dos meus desejos e âncora da minha solidão, rainha de mim. Lua cheia, redonda me fazendo crer que tudo volta ao ponto de partida. Belo início pra quem não tinha aonde chegar. O frio arde, as lágrimas cessam. Não vejo mais motivos para tanta tristeza, nem tão pouco para sorrir. O frio congelou-me. O peso em mim se foi, a dor também. Os pensamentos são outros, porém a solidão é a mesma. Grito. Tenho que fazer algo. Mas ainda sim estou calmo, estou só e algo vem como consolo: eu mesmo. A lua no centro do céu, vem acariciar-me com sua luz. Parece querer levar-me, parece dizer que me ama. O silêncio é algo deslumbrante. Chego a ouvir vozes doces, Ele fala comigo. Não vejo nada além do caminho que agora se faz em minha frente. Aos poucos o sol vai nascendo e a lua despede-me. Toca em minha face e beija-me. O sol afugenta-a. Há uma explicação nisso? Restituição. Levanto-me por não ter outra condição, bato a poeira na roupa e ando calmamente. Os pássaros cantam, celebram um novo dia. E eu que sempre gostei do amanhecer por me fazer acreditar em novos horizontes, novos desafios. Nova vida. Então que venha outro sol, que queime mais que antes, que venha esse vento úmido mais uma vez, que traga as mesmas lágrimas, o mesmo pranto, a mesma dor. O que não me destruiu deixou-me mais forte. O que não começou não tem o por quê para acabar. E por que acabar algo que nem está perto do fim? Um novo dia veio e dessa vez será diferente. A lua mostrou-me que tudo volta ao mesmo lugar, mas quando voltamos não somos os mesmos de antes, somos mais maduros. Volto a minha casa e resgato-me. Busco as coisas que rebolei por não entender a angustia de ontem. Que se dane o resto, o lunático aqui sou eu e foi tudo sem surpresas. Eles que tem que aceitar e não sou eu que irei mudar, mas mudei, e fui eu que não percebi. Fui eu que errei. Abro a porta e deixo o vento levar a mágoa, aquele mesmo vento úmido que teima em seguir-me. A luz do sol clareia meu interior, minha casa, o mesmo sol que tanto odiei sem acreditar na luz da lua que vinha em seguida. Ambas luzes distintas que escolhemos como bússola. Agora surgem aquelas pessoas que deixei para trás, assim mesmo sem remorsos, as mesmas que eu julguei diversas vezes. Perdão. Uma em especial toca em meu ombro, uma que eu nunca a ouvi como deveria. Trago a carta em meu bolso, a mesma que rasguei, a mesma que não tinha a minha letra, a mesma do sonho que não era meu. Juntos os pedaços, meus pedaços e entrego. Entrego-me sem medo. Junto com ela, as refaço. Refaço-me com ela. E vem a tona os sorrisos intensos, as conversas descontraídas, olhares amorosos, as belas palavras, e vimos uma manhã simples como foram aquelas tardes com os nossos mesmos defeitos. Bons momentos que voltam com a mesma emoção de antes. Tudo volta ao normal, tudo volta ao início. O sonho não era meu, eu que era o sonho e que morri por não ter acreditado. Ressuscitei e estou de volta ao meu lar, as minhas pessoas, os meus erros. Cabeça erguida e os passos firmes. Tive uma nova chance e não vou desperdiçá-la. Não importa o que der de errado, vou continuar seguindo “Andando sem olhar para trás...”.

 

*Para minha família



Escrito por Lunático às 00h13
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Das palavras sinceras que foram ditas sem a noção do quanto foram maldosas ou o quanto serão fundamentais. O lado do coração a ser despedaçado à direção que a luz aponta. As conseqüências do sentimento desconhecido à ação presunçosa do fato ambíguo. Das palavras ditas com medo, do sentimento arbitrário e tosco escondendo a pura verdade às ações restritas da escolha. Do pensar impulsivo classificando a ocasião precipitada. Do comportamento insano e lúdico disfarçando a questão lógica do temperamento. Da vida que escolhemos para diminuir a derrota que segue, aumentando o choro glorioso da vitória. Da culpa que optamos carregar para reduzir a dor dos erros sem machucar um coração ainda mais machucado. A vertigem da solidão. A dor da perda ao sentido da vida. O amor! Amor que ferve na proporção que esfria e esfria quando resolvemos amar, aquele amor que aquece. Das verdades que esclarecemos para amenizar a angústia ou a opção da angústia para esconder a verdade. As mentiras que ferem tanto quanto as verdades que desfalecem em pranto. Da companhia abstrata de quem perdemos a solidão de alguém que se faz presente. O esclarecimento do não quando só há um sim a se entender. Do sim a se dizer para demonstrar quão importante é amar. Das palavras ditas de coração expostas com coragem para receber o merecido perdão. Do perdão que classifica o amor que hora esfria e hora aquece. Da eterna busca de si para entender os fatos do passado a optar um futuro. Do passado que escolhemos esquecer para dá espaço ao amor que se aqueceu de tanto esfriar. Do momento que de tanto esperar, foi calejado pela solidão. Este mesmo momento que agora brilha sem saber. O momento que me faz chegar aqui com este peso que descarrego nessas palavras sem lógicas que desabafam por elas mesmas junto as lágrimas que caem lentamente, mas não busco compreensão ou entendimento, apenas quero mostrar através dessa alucinação, que não importa o quanto você já sofreu ou o quanto ainda há para se sofrer, no fim o amor sempre vence, pois nas palavras tortas está, que quando um nasce para o outro também vive.

 

 



Escrito por Lunático às 14h25
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- Respire... Respire...

Fraco. Arruinado. Iludido e afastado.

Flagelado. Incompreendido. Solitário e entorpecido.

Abandonado. Deslocado. Dispensado e vencido.

Ferido. Desmotivado. Mordido e aluado!

- Respire...Respire...

Incompleto. Escuro. Fechado e ofegante.

Travado. Vazio. Carne gritante.

Manchado. Sangue. Triste e horrível.

Desejo. Retraído. Um pequeno desprezível.

- Respire... Respire...

Feroz e valente. Perseguido e achado

Apanhado e molestado. Amordaçado e quente.

Alcançado e ultrapassado. Do passado, fato consumado.

Contrariado e apático. Nervoso lunático

- Salve-me! Salve-me!

- Respire... Respire...

E o amor? E os amigos? E a flor? E os sorrisos?

- É a dor! (Inimigo)

E a família? E os sonhos? A Cantiga e os contos?

- Está em mim. Vem comigo! Eu com Ele. Deus contigo.

- Respire... Respire e vive!

- Salvo-te e abraço-te. Levanto-te e carrego-te.

- Olha-me! Segure em mim. Veja em mim o amor por ti.

Hoje o choro (lágrimas de grandeza).

Hoje eu morro (intensidade em tristeza).

Amanhã o sorriso (a presença do Amigo).

Amanhã eu vivo (de Amor movido).

Então renasce, de vida escarlate e revive com amor em destaque. Junto ao Amigo que alegria é o convite, na certeza da Força que rebate, o ódio que o mundo permite.

- Respiro.



Escrito por Lunático às 17h51
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Estamos tão distantes um do outro, como o sol está da lua, mas ainda ouço sua voz chamando-me para ser seu. Todo seu. Tudo em ti. Serei para ti como um vento a carregar-te ou a folha para que me carregues. Serei como uma doce verdade que afugenta as fortes ilusões. Serei um todo em ti para dares alegrias. Serei tudo para ti em uma melodia de uma linda canção ou verso de um terno poema. No horizonte, um sol a clarear seu caminho e talvez, a terna emoção que lhe fará um dia brilhar. Serei todo um amor calmo e tranqüilo, a chuva fina que cai serenamente e talvez, serei tudo aquilo que teu coração almeja docemente. Serei para ti, o entardecer com mil sonhos a realizar-se, um lindo luar prateando teu rosto. Ou serei aquele amor feroz e quente que te aquecerás até as últimas conseqüências para teres um triunfante final. Serei para ti, a sensual madrugada que estonteia de desejos o coração e os próprios pensamentos. Ou quem sabe serei apenas um simples amado que lhe dará vidas de paixão. Serei para ti, não o ar que tu respiras, não o alimento que precisas (esse pedestal é alto de mais para mim), mas simplesmente, serei um amor gentil e honrável que te seguirás aonde fores pelo óbvio motivo de estar no lugar certo. Ou quem sabe, serei a derradeira mira, repleta de encantos, amores e prazeres. Busco-te como se fosse um sonho inatingível e incansavelmente te procuro. Mesmo estando longe, procuro tocar-te como um músico a acariciar o instrumento e que dele extrai os mais lindos hinos para agradar os mais críticos ouvidos. Tento tocar-te como se as minhas mãos tivesse somente essa missão tão eficaz e prazerosa para satisfazê-las. Estou distante de ti, e ainda consigo sentir teu olhar penetrante que me transpassa como uma cortante lança partindo em dois meu pobre coração triste. Sinto seu perfume que me enfeitiça fazendo flutuar em sua direção e esquecendo-me de todos os outros, somente para sentir o teu. De longe, vejo seu corpo como obra de arte esculpida por mãos hábeis e que me enlouquece de desejo. Distante, vejo teu sorriso claro e lindo como um céu, repleto de nuvens brancas. Seus olhos brilhantes como pérolas me enfeitiçam, só de olhar, ou como águas douradas a ponto de eu me afogar de tão místico que és. É você. E você nem percebe tamanha admiração. Aos muitos, tua imagem me proporciona maravilhosas lembranças que me inspira a sempre acreditar na palavra chamada amor, mesmo estando longe de te. Alegro-me por saber que sempre estará ali para ver em ti, um simples sorriso mesmo que não sejas para mim. Ao longe, seu olhar me conforta dos inúmeros problemas que enfrento, traz-me a esperança de um dia ficarmos juntos e acalenta-me das inúmeras surpresas da vida que nos esperam se ao acaso quererdes o meu amor, reduzindo a zero essa terrível distância e levando a mil o prazer de amar e ser amado.

 



Escrito por Lunático às 13h47
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E surgi da mentira, do improvável, uma imensa vontade de lutar, em nome do que foi roubado. Destituído do amanhã sem surpresas. Surgi das entranhas deste coração insano que insiste em bater, mas que desisti de sonhar. Que teima em não acreditar, mas que não acredita por amor. Busco olhar de cima de um muro, o mundo que agora me apresenta, o mundo que tento não ver, porque eu não sei mais o que há pra se ver neste mundo. Estou preso a um pavor real de não poder voltar ao mundo que era, e começo a pensar que nem mesmo queria, pois o de hoje é tão ridículo quanto o de ontem. Retalhos de um pedaço. Pedaços de um sonho, de um princípio. Pedaços de uma nação. Pedaços vítimas da inconstância humana. Pedaços da confiança perdida. Vontade de lutar só, no insignificante prazer do egoísmo vitimado pela competitividade do capitalismo, em nome do que se perdeu. Em homenagem do que ainda não foi visto. Perdemos o sentimento de acreditarmos juntos, perdemos a solidariedade, perdemos o sonho em conjunto, perdemos o amanhã. Acreditávamos que seria dessa vez e mais uma vez, vimos que não seria dessa vez. Acreditávamos que venceríamos a queda e mais uma vez a queda, aos nossos pés se fez, vencendo-nos outra vez. E o que virá? E o que vai ser dessa vez? Na antiga filosofia de que nada é para sempre. E aquele sonho que se iniciou, vimos manchar por pobres pessoas como nós, como eles, que se renderam ao poder, a ganância, ao pedestal mais alto. Esse é o preço que pagamos pela antiga filosofia de que é cada um por si. “Vou tirar o que é meu”. Esse foi o lema. E a culpa é de quem? O último que saí, que a luz apague. O último que saí, a conta que pague. Até quando viveremos nesse lema de tempos ingratos? Não temos mais união. A juventude que outrora se via em ruas e em manifestações lutando por um sonho, um ideal. Justiça! Vê-se perdida em frutos do joguinho deles, que era mantê-los afastados. A herança capitalista. O buraco deste mundo. A ridícula mania de ser tudo um motivo de festa. Cadê a honra? Onde está aquela sigla que motivava multidões e as promessas de um futuro melhor? O que dizer das palavras de vitórias que nos levaram a emoção ao batermos no peito, nos glorificando de sermos brasileiros com orgulho? Orgulho? Orgulho em que se trabalha tanto por tão pouco? Orgulho que pagamos muito para o prazer dos outros? Orgulho de perdemos o que ao longo da história conquistamos? Orgulho do desemprego? Orgulho do salário miserável? Orgulho do nosso sistema precário de educação? Orgulho da falta de reformas? Orgulho da corrupção? E eu prometo não mencionar a violência que em minha porta bate, não vou tão longe. Quero ir onde a violência é sem armas e mancha nosso patrimônio, onde os nossos sonhos foram jogados ao léu como poeiras. Onde senhores bem formados e bem educados pela nossa “educação justa e primordial”, competem entre si de quem nos rouba menos ou quem nos mentem mais. Cadê a justiça? E o que se vê hoje é aquela velha história de fazer-se de uma boa imagem para a “próxima cena”. E a apuração dos fatos, onde fica? E onde entra a lei constitucional? Aos poucos, essa “próxima cena” vem invadindo a nossa privacidade fazendo pouco da nossa integridade. A mesma história, as mesmas promessas e as mesmas ilusões. E nós que nunca aprendemos a lição. Sou brasileiro e tenho vergonha desse mundo de faz de contas. De hipócritas sem patriotismo. Esse mundo em que o maior sempre vence, e o pequeno não tem nem chances de subir. Um mundo onde é travada uma guerra injusta entre o patrão e o empregado. O empresário e o “escravo”. E agora me vem à tona gritos de rebeldia de uma nação com fome de vida, de um passado não muito distante. Jovens de caras pintadas clamando nas ruas por justiça. Lembro-me do sentimento de reformulação jovem caminhando e cantando. De jovens valendo-se da interrogação de um trovador solitário: “que país é esse?”. De um certo barão que clamava: “ideologia! Eu quero uma pra viver”. E da plebe que berrava: “com tanta riqueza por aí, cadê sua fração?”. Onde está essa juventude? Onde está essa força? Onde está a nossa dignidade? Onde está o Brasileiro?



Escrito por Lunático às 00h40
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Dos Defeitos...

Honráveis defeitos imperfeitos, que em contramão o caminhar me propõe, do histórico aprendizado adquirido, em exigência da hipocrisia contraditória, a intolerância insana e irreal minha, em meu parcial estado de loucura breve de minha existência. Amorosos defeitos iludidos, que em fragilidade mexem e remexem, das emoções precárias minhas, de dependente parecer me fazem de aprovações irracionais não convencionais. Invisíveis defeitos gritantes, que de prazer invadem os sentidos meus, que em turbulentos ares voar me fazem em busca de defeitos verdadeiros, a virtudes falsas transformadas ir. Secretos defeitos imaginários, da contravenção porção perigosa, da ebulição sem surpresas de mentiras e verdades, em paralelas andanças pressentidas, do certo e o errado, da cumplicidade a interrogativa, entre as falsidades das virtudes e a realidade mágica dos defeitos. Diferentes defeitos ambíguos, que me unir faz, da alma acorrentar a sutileza de conselhos amigos, que amar não é apoiar-se e segurança de companhia não provém. Medroso defeito inseguro, que das dúvidas prossegue a traição, que o perder me faz excluir o bem que conquistar eu poderia se de medo não fosse o tentar. Vertigem defeito em caminhar, se em escala final do percorrido caminho um destino me espera, meus passos, portanto devo medir, a atenção no que faço, no que fazem, os que por mim dão a graça e os que, por quais a graça é dada por mim. Anônimos defeitos que com o vigor dos primeiros trechos, vulnerável é meu ser, todavia se assim o dilema procede, acredite que o caminho de pedras de tais forças o coração partirá, ao tão pouco sol imagino. Divinos defeitos frutíferos que com os pecaminosos uma batalha há de sempre travar, uma incessante busca de mim, uma jornada hei de ir, desconhecendo eu o que pode acontecer sem a conseqüência dos fatos conhecer. Oportunos defeitos cínicos, que em sorrisos meus, lembro dos que de choro existem, para os quais os de mágoa sofrem, que meu riso não os ofenda, e que choro algum meu, a angustia não se desfaça em outros o aventurado sorriso. Suaves defeitos puros, que sozinho simplesmente, neste paralelo eu veleje e que, ao unicamente sentir, é necessária unção em mim. Fiéis defeitos conselheiros, que de ora o pranto me faz ao duro presente, o incerto futuro que me aguarda com a mesma intensidade venha, pois assim me for custo o preço eu pago, não importando a altura da queda que profetiza. Impertinentes defeitos passados, que ao meu lado permanecer insistem, que o brilho de gestos momentâneos ofuscam por lembrança dolorosa. Ah defeitos futuros! Se ao futuro fosse eu, em nada mudaria, já que o que fazer irei o fruto de hoje seria. Quantos defeitos necessários serão para assim o aprendizado findar-se, e por fim, repousado ir?



Escrito por Lunático às 23h56
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Foi com aquele abraço... Assim se fez aquele momento. Estavam tão colados que pareciam ser um corpo só. Pareciam estar livres, parecia que algo ainda os incomodava. Ele, aflito por não ter, mas contente de estar exatamente onde deveria estar (nos braços dela), ela triste, mas amorosa; feliz, mas insegura. Sem saber ao certo o que pensar. Os braços dele que a apertava forte idealizaram que ali, poderiam fugir para qualquer lugar. Fugiriam do medo... Do passado, fugiriam da angústia... Da mágoa. Fugiriam do preconceito... Longe de tudo que os afastava. Naquele abraço, eles estavam tão afastados que não podiam dizer uma palavra que não fosse a que estavam realmente pensando, pelo contrário não seria ouvida. Mas tão próximos que podiam ouvir os próprios corações clamando por trégua, clamando por amor, clamando por bênção. Ele pode lembrar de cada momento vivido e não conseguiu imaginá-lo melhor sem ela. Seus olhos apertaram fortes por não acreditar no que os aguardavam, mas sem imaginar nada que não valesse mais do que aquela união. Por um momento ele olhou nos olhos dela que pareciam dizer um milhão de coisas ao mesmo tempo, e uma era tão clara que o fez encher de emoção. Os olhos dela encheram de lágrimas... Lágrimas? Lágrimas que fizeram mudar a palavra que dizia. Lágrimas que o torturaram naquele instante lhe interrogando um por quê? Pedindo abrigo. “Me deixe em paz...” “Não me abandone...” “Me ame...” “Vá embora...” “Segure minha mão...” Tudo sem um ponto final. Tudo sem dizer exatamente nada. Mais uma vez ele a abraçou e desejou escondê-la em seus braços para que nada mais a afligisse. Mais uma vez sentiu o coração dela apertado por não saber o que fazer, e deixou que ela sentisse o coração dele bater espremido por não ter o que queria.  Foi nesse momento que ele pensou que seria o último instante juntos e a abraçou mais forte ainda, por não querer ficar longe dela. Foi nesse abraço que ela buscou fundo o ar que veio amargurado, veio lento, um suspiro prolongado. Um ar como que diz “não posso fazer nada”. Um ar de dor. Ele desejou que aquele momento de união fosse eterno, por temer que amanhã não a veria mais. Que não a teria como agora. Temia que amanhã não sentisse o perfume, o ar. Não ouvisse a voz, não sentisse o toque, tudo que viesse dela. Então uma lágrima solitária rolou em seu rosto. Veio devagar e deslizou até o fim. Talvez ele não fosse o que ela esperava, talvez ela não fosse o que ele procurava. Talvez não fosse a hora certa. Talvez foi ela que não quis se arriscar, talvez ele que não agiu como deveria. Talvez não entenderam. Talvez não aceitaram. Talvez o amor deles não fora aceito. Talvez ali fosse o fim. Talvez fosse questão de tempo para um recomeço. Mas assim mesmo se fez aquele momento, com um abraço de despedida, a conclusão que não poderiam ficar juntos. Um adeus. E agora pergunto: O que se faz para se ter um amor? Quanto custa? Quanto resta? O que é preciso para que esse amor seja aceito? Será que o amor não é o mais importante? Quando se acha que não se pode continuar amando? Será possível amar sem desejar quem se ama? Será que escolhemos quem amamos? Será que escolhem a quem devemos amar? Será que é certo desistir de um amor? Será que o amor tem fim?



Escrito por Lunático às 02h02
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- Mãe! Mãe!

- Que foi, meu filho?

- Eu caí! Ta doendo muito!

- Calma, me deixa dar uma olhada.

- Aí mãe! Ta doendo!

- Eu disse pra você não ficar por aí correndo. Quem corre sempre acaba caindo.

- Desculpa mãe, é que eu me distraí. Mãe! Faz parar de doer!

- Você vai ter que ser forte.

- Mas mãe, tô com medo!

- Calma, eu estou aqui.

- Agora vou ter que passar um remédio.

- Mãe! Ainda dói!

- Eu sei.

- Faz passar!

- Só o tempo vai fazer isso. Agora pare de chorar e levante a cabeça.

A mãe dedicada coloca-o na cama pra dormir e com bastante carinho, enxuga as lágrimas do seu filho e diz:

- Agora vá dormir e amanhã será um novo dia e você já vai estar bem melhor.

- Mãe! Vai ficar uma cicatriz?

- Vai sim, meu filho. Mas é pra você não se esquecer que um dia caiu.

- Por que caímos, mãe?

- Para levantarmos melhor e não cometermos os mesmos erros. Para aprendermos uma lição. Hoje você aprendeu que não se deve correr, porque se você correr fica mais fácil de cair.

- Mas mãe, eu gosto de correr!

- Nem sempre fazemos ou temos aquilo que queremos, meu filho. Aceite isso.

- Mãe, você já caiu?

- Várias vezes, meu filho.

- Doeu?

- Ainda dói, mas nunca se deve mostrar o lado ferido. Existem vários tipos de quedas, meu filho e é preciso que sejamos fortes se queremos subir na vida. Devemos suporta a dor de cada ferida. Um dia você vai entender. Agora vá dormir, amanhã você vai estar bem melhor.

A mãe beija a testa do filho e deseja:

- Boa noite, meu filho.

- Mãe! Não apaga luz! Tenho medo de ficar só no escuro.

- Você nunca estará só, meu filho. Não se esqueça disso.

- Eu te amo, mãe.

- Eu também, meu filho. Eu também.



Escrito por Lunático às 00h02
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 É, eu vou seguir assim mesmo, como um lunático. Não sei se sou eu que sigo a lua ou é a lua que me segue. Quem vier primeiro que faça um sinal qualquer. Pois é, não deu! Quem disse que seria fácil? É, pode ser que o luar venha com o meu sorriso de antes. Pode ser que amanhã o sol não dê o ar de sua graça. Pode ser que o vento permaneça úmido de lágrimas, o mesmo vento que secou meu rosto. Só não quero me desacostumar. Sobre ficar só, eu entendo. A solidão me conhece muito bem. Dediquei-me mais as coisas simples da vida ao invés do amor. E agora, onde está? Agora vou, mesmo sem querer ir. Agora verei o mundo sem conhecê-lo bem. E eu nunca me encontrei. Por onde vou? Eu sempre fui pela estrada mais difícil de se andar, mas agora quero fazer algo diferente. Vou sem culpa e sem culpar ninguém. O que vou encontrar? Eu não sei. Não faço mais drama, fiquei dormente. Não choro mais, as lágrimas secaram. Não procuro por mais nada. Apenas vou continuar andando. Tenho que andar por um caminho só e não querer andar por vários. Talvez foi só para se entregar. Talvez o amor veio e não quis me levar. Sei lá! Nem penso nisso mais, só guardo a lembrança que um dia eu acreditei. E o próximo instante? Essa história eu já conheço. É, sua dúvida venceu minha esperança, minha pequena. Mas não pense que vou por não te amar mais, apenas não quero mais te fazer sofrer. Não quero ser um problema para você. Eu nunca duvidei do seu amor, apenas não compreendi o seu medo. Você não quis me dizer. Você não quis tentar. Você não quis se arriscar. Mas você teve os seus motivos. Agora eu entendo e vou deixa-la em paz. Vou seguir calado e com passos lentos, pensando talvez, em voltar. Quem sabe? Se eu ouvisse a sua voz dizendo: "não vá!", eu não teria motivos para ir. Mas vou assim mesmo. E surgem amigos filósofos dizendo: “vai passar!”. Amigos incompreensíveis convidam: “vamos sair?”. Eu só quero ficar só. E me perguntam: “tudo bem?”. Eu não estou legal, mas posso dizer que já superei coisa pior. Vou ficar bem, obrigado. Poderei pensar que foi tudo um sonho, e se eu quisesse voltar a dormir para ter o mesmo sonho? E agora vem meu grito dizendo “não!”. Vem seco e cheio de dor e ninguém vem me dizer o contrário. É, foi mágico tudo que aconteceu. Foi mágico como eu me dediquei a você. Os meus olhos sorriram de emoção e os fechei apertados. E agora foi com lágrimas que eu disse para mim mesmo: “adeus”. Foi com lágrimas que dobrei meu coração como se fosse um papel qualquer. Mas as lágrimas já não rolam mais. Quero que guarde este meu sorriso. Entrego a você, já que não pretendo dar a mais ninguém. Guarde-o com carinho e saiba que o seu, levarei comigo.

 



Escrito por Lunático às 01h48
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Hoje choro... Choro por sua ausência. Choro porque um dia lhe tive e ainda tenho esperança que volte. Volte para mim! Choro porque em meu coração guardei um lugar pra você e este está vazio. Meu coração está vazio. Choro de saudades. Choro porque ainda sinto o gosto de seu beijo e a carícia de seu toque. Choro porque ainda te quero. Choro porque estou só. Choro de solidão. Choro porque ainda vejo seu olhar em cada rosto. Choro porque não consigo me ver sem você. Em cada flor, vejo teu sorriso, e choro. Choro porque meu sorriso não é o mesmo sem o seu. Choro pelo meu sorriso que se tornou falso desde a sua partida.Tento te esquecer, e choro. Choro porque não quero te esquecer. Se me queres, volte pra mim e esquecerei de tentar te esquecer. Choro porque te quero, e queria poder parar de chorar. Queria parar de chorar! Queria não poder chorar por você. Queria te ver, sem te desejar. Queria te ver sem sentir que te perdi. Queria poder fechar meus olhos e não poder ver que estou sem você. Queria poder dormir sem sentir sua falta. Queria me aproximar de te, sem sentir meu coração disparar. Queria poder te abraçar e não sentir que você faz tanta falta. Queria poder saber o que você senti por mim. Queria saber o que os teus olhos querem me dizer. Queria não te amar. Queria poder pensar em não te querer.

Choro porque ainda amo você.



Escrito por Lunático às 18h43
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Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que sei. Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca, porque metade de mim é o que sinto, mas a outra metade é o silêncio. Que a música que ouço longe, seja linda ainda que tristeza. Que a mulher que amo, seja pra sempre amada ainda que distante, porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade. Que as palavras que eu fale, não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor. Apenas respeitadas, como uma única coisa que resta ao homem em um dado sentimento, porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo. Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que mereço. Que essa tensão que me corroi por dentro seja um dia recompensada, porque metade de mim é o que penso e a outra metade é um vulcão. Que o medo da solidão se afaste, e o que convive comigo mesmo, seja ao menos suportável. Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que lembro de ter dado na infância, porque metade de mim é lembrança do que fui e a outra metade, eu não sei! Que seja preciso mais que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito. E que o teu silêncio me fale cada vez mais, porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço. Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba. E que ninguém a tente complicar, porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer. Porque metade de mim é platéia e a outra metade é canção. E que a minha loucura seja, enfim perdoada, porque metade de mim é o amor e a outra metade... Também!

(Oswaldo Montenegro)



Escrito por Lunático às 13h51
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Aqui estou dentro de um cubo cilíndrico tentando a esmo esconder-me de mim. Esconder-me do tempo, talvez. A manhã invade por entre os curtos espaços deixados, por entre a brecha da porta entreaberta, mas não com a mesma lentidão de antes. Encontra-me a mirar-me no espelho, os meus olhos cansados, os meus cabelos crespos e a minha barba mal feita. Um fio branco perdido, uma prenuncia dos anos que hão de vir e a prova dos que já foram. O tempo está passando mais veloz do que se havia imaginado: esmagador e imperdoável. Tempo justo! Até bem pouco, eram as ansiedades, os primeiros gestos, o sorriso primário, os pequenos e fundamentais passos originais. O tempo também era severo, mas havia a distração, pouco se notava. A lei da vida nos subtrai aos que nos amam. O tempo rege a sua maneira, a máquina de envelhecer, e envelhecemos destituídos do que nos dá prazer ou de quem amamos. Cresci e o mundo me foi pequeno e eu continuo pequeno e tenho que crescer muito ainda, pois o mundo, agora não é tão pequeno quanto eu. O tempo pôs em mim, o adolescente rebelde com ariscas aventuras, depois o jovem cheio de dúvidas e incertezas dando espaço a alguém adulto, um estranho irreconhecível, longe da criança que fui. Tempo ingrato! Tira-me a doce e pura alegria juvenil ao mesmo tempo em que me impele as rugas, as ilusões da vida e a certeza de que nada é para sempre. Pare tempo! Se tu levaste de mim a ingenuidade de antes, deixe-me pelo menos este sorriso da certeza de um amor que ainda carrego em mim. Não nas fotografias, que você mesmo encarregará de corroer. Não nas imagens de fitas, que o mofo aniquilará. Não nas longínquas lembranças que você será capaz de fazer-me esquecer, mas na doce e conceituada presença desse sentimento divino que hei de levar comigo, com ou sem a sua aprovação, com ou sem o consentimento de quem amo. Tolice minha, avance tempo! Dia após dia, tempo após tempo. Assim como você trouxe-me uma lição, assim espero outras mais. Assim como você trouxe-me o amor, assim espero outro maior. Você precisa atrair e seduzir jovens almas pecadoras para o aconchego do nosso criador. Entender o sentido em cada sentido, entender a vida em cada vida, enfim, entender o amor em cada amor. Se o tempo precisa levar-nos, que seja então, ao menos brando e leso possível e que possamos ver a veracidade do perdão e a bondade que devemos extrair dos nossos corações. Que possamos também descobrir o caminhar sem medo do que é crescer: uma nova etapa, a fase seguinte, o próximo aniversário



Escrito por Lunático às 00h10
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O amor é viver. O amor é a vida com vida. O amor se vive como a vida.
O amor é o convite à vida. O amor é a própria vida.
O amor, apenas é a plenitude do pleno.
É sentir-se só em plena multidão. É não sentir falta de nada quando se é amável.

É viver no deserto. É o sorriso triste sozinho. É a alegria de um retorno do sorriso saudoso. É perder a fome. É querer ficar mais bonito. É querer estar... Abraçar... Beijar.
É à busca de si mesmo em alguém. É o encontrar-se em alguém. É dádiva divina.
É a razão. É a paixão. É a esperança. O sonho. É o sim. É paz. O olhar risonho.
É a maior lição que podemos aprender. O maior ensinamento que podemos oferecer.
É o melhor aprendizado que devemos ter. É o bom de se viver.
É morrer e renascer em si. É se ver em outros olhos. É vê-la nos seus. É não parar de pensar.
É à volta à infância. É a pureza. É o senhor da sentimentalidade.

O amor é imaginar que podem envelhecer juntos. É confiança. É honra. Responsabilidade.

É o reflexo da alma.
É a presença de Deus. É a vida na Terra. É a vida eterna.
É a vida. O amor é tudo. É amar.



Escrito por Lunático às 16h00
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Veja bem meu bem;

Sinto te informar que arranjei alguém pra me confortar

Este alguém está quando você sai

E eu só posso crê, pois sem ter você, nestes braços tais.

Veja bem amor; onde está você?

Somos no papel, mas não no viver!

Viajar sem mim, e me deixar assim...

Tive que arranjar alguém pra passar os dias ruins.

Enquanto isso, navegando, eu vou sem paz.

Sem ter um porto, quase morto sem um cais.

E eu nunca vou te esquecer amor,

Mas a solidão deixa o coração neste leve e traz.

Veja bem além destes fatos vis.

Saiba: traições são bem mais sutis!

Se eu te troquei não foi por maldade...

Amor veja bem,

Arranjei alguém chamado saudade.

 

(Marcelo Camelo – Los hermanos)

 



Escrito por Lunático às 00h08
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E foi assim... Depois de muito esperar, depois de muitas quedas e muitas desilusões, numa manhã linda, porém cinzenta, decidi triunfar. Decidi que eu não sabia de nada e resolvi aprender. Aprendi que não devo esperar as oportunidades e sim, eu mesmo buscá-las. Aprendi a enfrentar cada problema como uma oportunidade de encontrar uma solução. Aprendi a buscar soluções. Aprendi a usar cada deserto como uma possibilidade de encontrar um oásis. Aprendi a viver cada noite como um mistério a resolver. Aprendi a buscar uma luz no meio da escuridão. Aprendi a ver cada dia como uma nova oportunidade de ser feliz. Naquele dia aprendi que meu único rival não era mais que minhas próprias limitações, medos, angústias e que enfrentá-las era a única e melhor forma de superar o que realmente me incomodava. Naquele dia, aprendi que eu não era o melhor e que talvez, eu nunca tenha sido. Deixei de me importar com quem ganha ou com quem perde. Agora, o que me importa simplesmente, é saber melhor o que fazer para mim, para quem está ao meu redor e até para aqueles que eu não conheço. Aprendi que o difícil não é chegar lá em cima, e sim parar de subir, e por fim cair. Aprendi que o melhor triunfo que posso conseguir é ter o direito de chamar a alguém de "Amigo" e ter alguém para “Amar”. Aprendi que o amor é mais que um simples estado de amar. "O amor é uma filosofia de vida". É algo próprio, mas se compartilha com os outros. Naquele dia, eu descobri que eu amava alguém e que agora não consigo deixar de amá-la. É o motivo da minha alegria. Naquele dia deixei de ser um reflexo dos meus escassos triunfos passados e passei a ser a minha própria e cintilante luz deste presente clareando meu futuro. Aprendi que de nada serve ser luz se não vai iluminar o caminho dos demais. Naquele dia, decidi trocar tantas coisas que só me restou a chance de buscar algo novo, que faça sentido para mim, algo real: minha felicidade. Descobri que sem o amor de Jesus eu não sou nada, eu não posso nada sem Ele. Daquele dia em diante já não durmo para descansar. Agora, simplesmente eu durmo para sonhar e que os sonhos são para fazer-se realidade. Basta acreditar e pô-los em pratica. Então, naquele fim de dia, descobri que eu era apenas um tolo pensando saber de tudo. Eu ainda tinha muito que aprender.

 



Escrito por Lunático às 03h13
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O que dizer de nós que pensamos estarmos livres e fazemos o que queremos? Nós não fazemos o que queremos. Eu digo que a liberdade tem limites, e condiz com início da liberdade do outro. Nós vivemos a esperar um mundo melhor, com justiça e paz, mas não vamos à luta, somos comodistas, fracos. Com certeza a liberdade é luta. Tenho medo das pessoas que procuram a libertação nas drogas, no vandalismo e na má educação, destruindo a alegria dos outros e a própria vida. A liberdade é um momento de alegria coletiva, nunca individual. O que fazer de nós que não enxergamos os problemas do mundo e dizemos que tudo está ótimo? A liberdade é conscientização. Os problemas do mundo não estão, só no que vemos na televisão, estão em toda parte. Abra os olhos! Que liberdade é essa que nós não podemos andar sem preocuparmos com quem está ao nosso lado? Que liberdade é essa com segurança armada, sete cadeados no portão, carros blindados ou toque de recolher? Que liberdade é essa que não podemos andar tranqüilos pelo parque? O que dizer de nós que sonhamos com essa liberdade? Alguns de nós não fazemos dos nossos próprios sonhos uma ponte para o futuro. A liberdade é um sonho possível. Tenho medo de nós mesmos que não procuramos união, não pedimos e nem damos ajudas ou opiniões. A liberdade é partilha. Tenho pena de nós que buscamos o nosso próprio bem, e para isso passamos ou pisamos por cima de tudo e de todos para sermos felizes ou conseguirmos algo na vida. Na liberdade não há competição. A liberdade é respeito. O que dizer sobre nós que falamos a todos sobre mudança, apontamos problemas sociais, mas não aceitamos críticas à nossa pessoa? A liberdade é abertura. Nós, seres humanos, não tomamos o conhecimento desse privilégio que se chama liberdade. Nós somos ignorantes em relação a esse ponto. Ao mesmo tempo somos frágeis, deixando-nos levar pela propaganda, consumismo, novelas, filmes e outros ídolos, glorificando-nos de estarmos livres para fazermos o que bem entendermos. (O fato de estarmos na moda não lhe parece familiar?). A liberdade não se resume no que os outros pensam de nós e se somos ou não somos aceitos. A liberdade é missão a ser assumida, é originalidade, é aceitarmos nós mesmos como nós somos por dentro. A liberdade é assumir o amor, já que somos feitos de amor. O que dizer da nossa própria hipocrisia, da nossa eterna surdez e daqueles que tem olhos pra enxergar e finge não ver? Nós que falamos a mesma língua, buscamos o mesmo amor, nunca chegaremos à igualdade de raciocínio por sermos tão egoístas com a nossa própria vida. A liberdade é vida e ninguém vive sozinho. Você é livre? Temos muito que fazer e muito ainda para aprender. Isso é só o começo.



Escrito por Lunático às 00h18
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Que água é essa que lava e põe as sujeiras no varal? Que luz é essa que te incendeia e as estrelas mortas ressuscitam aos teus olhos manchados pelo tempo? Que belezas oportunas se entrelaçam no íntimo do seu ser paradoxal? Que remorsos te impedem de ver coisas novas? Que parede é essa que separa a nossa vida? Que força diferencia a nossa ganância do improvável? De onde vem à loucura pelo o desconhecido? Qual dos neurônios forja teus movimentos? Quem esmaga o adeus com um punhal pelas costas? Que lúdico molda teus gestos e tua força? Que lua te segue? Quanto se ganha a cada perda? Quem perde quando há um vencedor? Que chão suporta a queda? Quanto vale um sorriso? Para onde vão os anjos? Por onde terei que ir? Que serpentes e gaviões invejam teu feitiço animal? Que coração adormece na ponta da tua espada? Que espada te golpeia em diagonal ou te fura no peito? Que pássaro mutilado pelo raio pousa em teu ombro e te direciona para o norte? Quem não foi um pássaro na mira do caçador? Que caçador te mira quando não és presa? Que triste fala pelo os contentes e que bem-aventurado é este que chora ao coração dos deprimidos? Quão triste abala que a alegria não abate? Quem somos nós para sabermos o que é felicidade? Com que direito você aparece e sai sem terminar o que começou? Quem é você para me entristecer? Quem sou eu para ficar tão triste assim? E eu que não sabia chorar, me pergunto como devo sorrir.